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Dicionário de engenharia · Letra A

Abatimento do concreto – slump test

Abatimento do concreto, ou slump test, é o ensaio que mede a consistência do concreto fresco pela diferença de altura entre o molde em forma de tronco de cone e a massa de concreto depois que o molde é retirado. O ensaio é regido pela ABNT NBR 16889:2020, que substituiu a antiga NBR NM 67. É o controle mais rápido e barato para aceitar ou recusar um caminhão-betoneira na obra.

Resumo executivo

  • O abatimento indica se o concreto que chegou tem a trabalhabilidade especificada no pedido e no projeto.
  • Norma do ensaio: ABNT NBR 16889:2020. Recebimento e aceitação: ABNT NBR 12655:2015. Concreto usinado: ABNT NBR 7212.
  • Abatimento fora do especificado é motivo para recusar a carga antes do lançamento, não depois.
  • Adicionar água na obra para “melhorar o slump” sem controle reduz resistência e durabilidade, e transfere o risco para a construtora.
  • Decisão do gestor: exigir ensaio em toda betoneira, registro por caminhão e regra clara de aceite e recusa.

O que é abatimento do concreto

Abatimento é a medida, em milímetros, de quanto o concreto “cede” sob o próprio peso. Quanto maior o abatimento, mais fluido o concreto. É um indicador de consistência e, indiretamente, de trabalhabilidade e de uniformidade entre cargas.

O procedimento está na ABNT NBR 16889:2020 – Concreto – Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone, que cancelou e substituiu a ABNT NBR NM 67:1998. A coleta da amostra segue a ABNT NBR 16886:2020 – Concreto – Amostragem de concreto fresco.

Outras normas que dependem do ensaio:

  • ABNT NBR 8953: classifica o concreto por classes de consistência (S10, S50, S100, S160 e S220), que devem constar no pedido.
  • ABNT NBR 12655:2015: preparo, controle, recebimento e aceitação do concreto de cimento Portland. Define que o recebimento inclui a verificação da consistência.
  • ABNT NBR 7212 (edição 2021, com emenda de 2024): concreto dosado em central, incluindo fornecimento, documento de entrega e controle na obra.

Por que isso importa para a empresa

  • Resistência e durabilidade: concreto mais fluido que o especificado, por excesso de água, tende a ter relação água/cimento maior, menor resistência e mais porosidade. Isso afeta a vida útil e a proteção da armadura.
  • Prazo: concreto muito seco não preenche fôrmas densamente armadas, gera ninhos de concretagem e retrabalho de reparo.
  • Responsabilidade: quem aceita a carga assume o material. Sem registro de abatimento, fica difícil cobrar a concreteira se a resistência não for atingida.
  • Custo: recusar uma betoneira na chegada custa menos do que demolir ou reforçar um elemento depois.

Como o ensaio é feito

Equipamento

  • Molde metálico em tronco de cone, com cerca de 300 mm de altura, base de 200 mm e topo de 100 mm de diâmetro.
  • Haste de socamento de aço com ponta arredondada.
  • Placa de base rígida, plana e não absorvente.
  • Régua ou trena para a medida.

Procedimento resumido

  1. Coletar amostra representativa conforme a NBR 16886, após a descarga inicial do caminhão.
  2. Umedecer molde e placa, posicionar o molde e firmá-lo com os pés.
  3. Preencher em três camadas de alturas aproximadamente iguais, aplicando 25 golpes de haste em cada uma, distribuídos na seção.
  4. Rasar o topo, limpar a placa e retirar o molde verticalmente, de forma contínua e sem torção.
  5. Medir a diferença entre a altura do molde e o ponto mais alto do concreto abatido.
  6. Registrar o resultado, o horário e a identificação da betoneira.

Se o concreto desmoronar para um lado ou cisalhar, o resultado não é válido e o ensaio deve ser repetido com nova porção. Concreto autoadensável não é avaliado pelo abatimento, e sim por ensaios de espalhamento próprios.

Classes de consistência e aplicações

Classe (NBR 8953) Abatimento (mm) Aplicação típica
S10 10 a menos de 50 Concreto extrusado, pavimentos com equipamento de fôrma deslizante
S50 50 a menos de 100 Alguns pisos e elementos de fácil adensamento
S100 100 a menos de 160 Elementos estruturais correntes com lançamento convencional
S160 160 a menos de 220 Elementos com armadura densa e concreto bombeado
S220 220 ou mais Elementos muito armados e de difícil acesso

As aplicações são orientativas. A classe é definida pelo projeto e pelo planejamento da concretagem, considerando taxa de armadura, forma de lançamento e adensamento. O abatimento especificado, com sua tolerância, deve constar no pedido à concreteira; a NBR 7212 traz as tolerâncias aceitas na entrega.

Recebimento do concreto na obra

Ordem correta

  1. Conferir o documento de entrega: classe de resistência, classe de consistência, classe de agressividade ou relação água/cimento, volume, horário de carregamento, aditivos.
  2. Verificar o tempo desde a mistura, respeitando o limite acordado e o que a NBR 7212 estabelece.
  3. Ensaiar o abatimento antes do lançamento.
  4. Aceitar ou recusar a carga com base no resultado.
  5. Moldar corpos de prova para controle de resistência conforme a NBR 12655 e a NBR 5738.

Correção de abatimento

Quando permitido, a correção de abatimento por adição de água ou aditivo deve seguir as regras da NBR 7212, ser feita antes do início da descarga, dentro do limite previsto na dosagem, e ser registrada no documento de entrega. Água acrescentada por conta própria na obra, sem controle, pode invalidar a responsabilidade da concreteira pela resistência.

Erros comuns que custam caro

  • Não ensaiar todas as betoneiras, ou ensaiar só a primeira.
  • Coletar amostra dos primeiros litros despejados, que não representam a carga.
  • Pedir concreto sem especificar a classe de consistência e depois discutir com a concreteira.
  • Adicionar água na bica para facilitar o lançamento.
  • Usar molde amassado, haste errada ou placa irregular.
  • Aceitar carga fora do especificado por pressão de prazo e equipe parada.
  • Não registrar abatimento, horário e localização da peça concretada, perdendo a rastreabilidade.

Checklist do gestor

  • O pedido de concreto informa classe de resistência, classe de consistência e demais requisitos de durabilidade?
  • Há laboratório ou técnico qualificado para o ensaio em todas as concretagens?
  • O equipamento está em bom estado e conforme a NBR 16889?
  • Cada betoneira tem abatimento registrado, com horário e elemento concretado?
  • Existe regra escrita de recusa de carga e quem tem autoridade para recusar?
  • A adição de água ou aditivo na obra é controlada e anotada no documento de entrega?
  • Os corpos de prova são moldados e rastreáveis por caminhão?

Perguntas frequentes

Abatimento alto significa concreto mais fraco?

Não necessariamente. Concretos com aditivo superplastificante podem ter alto abatimento e alta resistência. O problema é abatimento alto obtido com excesso de água.

O slump test substitui o ensaio de resistência?

Não. O abatimento controla a consistência no recebimento. A resistência é verificada por corpos de prova rompidos em laboratório.

A NBR NM 67 ainda vale?

Não. Ela foi cancelada e substituída pela NBR 16889:2020. Especificações e contratos devem citar a norma vigente.

Posso recusar o caminhão?

Sim. Se o abatimento estiver fora do especificado e da tolerância, a carga pode ser recusada antes do lançamento. Defina isso no contrato com a concreteira.

Conclusão

O abatimento é o primeiro filtro de qualidade do concreto e leva poucos minutos. Ensaiar toda carga, registrar e recusar o que estiver fora do pedido protege a estrutura, o cronograma e a posição da empresa diante do fornecedor. Veja também o verbete argamassa.

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